Resumo: o Google deve liberar o Gemini 3.5 Pro em junho de 2026 com janela de contexto de 2 milhões de tokens, modo de raciocínio “Deep Think” e foco em agentes e código. O lançamento foi anunciado no Google I/O em maio e, conforme cobertura do The Verge e de veículos técnicos internacionais, Sundar Pichai pediu mais um mês de espera no início de junho. A novidade reposiciona a disputa com OpenAI e Anthropic, agora em torno de raciocínio caro e janelas de contexto enormes.
Três pilares se destacam:
A janela de 2 milhões de tokens é o que mais impressiona para uso técnico. Permite, por exemplo, alimentar um codebase Python inteiro junto da documentação interna e pedir refatorações que respeitem padrões locais. Para áreas jurídica e financeira, abre análise de contratos volumosos em uma única passada.
O Pro lançado em junho chega depois do Gemini 3.5 Flash, mais barato e rápido, anunciado no I/O. A estratégia do Google é clara: oferecer o modelo top em paridade com Claude Opus e OpenAI o3, mas manter uma versão “boa o suficiente” muito mais barata para a maioria dos casos. O Flash tem preço de US$ 1,50 por milhão de tokens de entrada e US$ 9 de saída; estimativas indicam que o Pro custará em torno de US$ 15 de entrada e US$ 60 de saída — alinhado ao aumento que Anthropic e OpenAI também aplicaram em 2026.
O leitor brasileiro deve atentar a três efeitos práticos:
Alguns pontos a considerar. Janelas grandes não eliminam alucinação: pesquisa recente da Stanford e do MIT mostra que modelos de 1M+ tokens ainda perdem informação central em meio ao contexto (o famoso “lost in the middle”). Para tarefas críticas, RAG bem feito continua superior a “jogar tudo no prompt”. Custo de Deep Think: o modo de raciocínio elevado consome mais tokens e demora mais. Não compensa para chamadas de baixo valor agregado. Risco regulatório: o Workspace com IA frontier embarcada está em radar de autoridades europeias e brasileiras quanto a uso de dados de clientes. Vale acompanhar.
O cronograma de 2026 já reorganizou o vocabulário do mercado. Os modelos premium agora têm subcamadas: rápido, profundo, agêntico. O Gemini 3.5 Pro com Deep Think se encaixa exatamente no nicho do GPT-5 Pro e do Claude Opus 4.8 com extended thinking — modelos pensados para tarefas onde uma resposta a mais por dia justifica gastar mais por chamada. O próximo movimento esperado é o Gemini 3.5 Pro fine-tuned para agentes, com integração direta a planilhas e ao Google Drive como sistema de ação. Para o desenvolvedor brasileiro, o conselho prático é testar o 3.5 Pro em casos onde 1M+ tokens fazem diferença real — análise de contrato extenso, refatoração de codebase, sumarização de fundo de pesquisa.
Se você já paga Workspace, vai ter acesso ao Gemini 3.5 Pro como upgrade natural — vale rodar dois ou três casos de uso reais e comparar com Claude e ChatGPT antes de assinar Ultra. Se constrói produto, monte uma arquitetura híbrida: Flash para volume, Pro para raciocínio, com cache de prompt agressivo. O que muda em junho é o nível da régua: a partir desse lançamento, qualquer modelo frontier que não suporte janelas gigantes e raciocínio dedicado começa a ficar para trás.
Fonte original: The Verge — Artificial Intelligence.
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