Cibercriminosos estão explorando ativamente a CVE-2026-26980, uma falha critica de injeção SQL no Ghost CMS com pontuação CVSS 9.4, para sequestrar mais de 700 sites e injetar codigo malicioso usado em campanhas de ClickFix. O exploit, descoberto pela Anthropic com auxilio de Claude e corrigido em fevereiro de 2026, permite que atacantes obtenham a chave de API administrativa sem autenticação e modifiquem diretamente o conteudo publicado.
Segundo a empresa chinesa QiAnXin XLab, atores de ameaça começaram a varrer a internet em busca de instalações do Ghost CMS vulneráveis a CVE-2026-26980 e a explorá-las em escala. A campanha aproveita o fato de que muitos administradores ainda não aplicaram a atualização para a versão 6.19.1, liberada há mais de três meses, e usa as credenciais roubadas para reescrever artigos publicados, transformando blogs legítimos em pontos de distribuição de malware.
O Ghost é uma plataforma de publicação de código aberto popular entre veículos de mídia independentes, newsletters pagas e criadores de conteúdo. A presença em um site confiável reduz a desconfiança dos visitantes e aumenta drasticamente a taxa de sucesso de qualquer campanha de engenharia social.
A CVE-2026-26980 é uma injeção SQL na Content API do Ghost, o endpoint público utilizado para servir posts e páginas a temas e integrações externas. Por se tratar de uma API destinada a ser consumida sem autenticação reforçada, o vetor exige apenas requisições HTTP especialmente formatadas, sem necessidade de credenciais ou foothold prévio no servidor alvo.
O grande agravante apontado pelos pesquisadores é que o ataque permite ler dados arbitrários do banco, incluindo a Admin API Key do site. Com essa chave em mãos, o invasor passa a operar como administrador legítimo, autenticando-se na Admin API e modificando posts, páginas, integrações e webhooks sem disparar alertas baseados em login.
O ator de ameaça aproveitou a falha para obter a Admin API Key do site alvo sem autorização e, em seguida, usou a Admin API do Ghost para injetar JavaScript malicioso no cabeçalho de cada post.
QiAnXin XLab
O código injetado redireciona visitantes para páginas que reproduzem o já tradicional padrão ClickFix: uma mensagem falsa pede que o usuário copie um comando para o terminal ou para a caixa Executar do Windows, supostamente para corrigir um erro de exibição ou completar uma verificação humana. Quem cumpre a instrução acaba executando manualmente um loader que entrega o malware final, frequentemente um info-stealer ou um RAT.
A telemetria da XLab indica mais de 700 sites comprometidos até o fechamento do relatório, número considerado conservador porque depende apenas dos domínios visíveis nas varreduras passivas dos pesquisadores. A população de instalações Ghost expostas é estimada em dezenas de milhares, o que abre espaço para uma curva de exploração muito mais longa.
A combinação de CMS comprometido com técnica ClickFix mostra a maturidade desse vetor, que vem substituindo o tradicional download oculto e malvertising desde 2024. O atrativo é claro: o usuário executa o payload com as próprias mãos, contornando avisos do navegador, sandboxes de e-mail e até proteções de EDR baseadas em macros do Office. Em vez de explorar o navegador, o atacante explora o pressuposto cultural de que copiar um comando é seguro.
A história também recoloca o debate sobre divulgação coordenada e tempo de resposta. O Ghost corrigiu a falha em fevereiro, mas três meses depois ainda há centenas de sites vulneráveis, o que repete o padrão observado em casos como o do MOVEit Transfer e do Confluence. Ferramentas de descoberta automatizada de superfície de ataque continuam sendo escassas em organizações de pequeno e médio porte, e plataformas hospedadas de terceiros muitas vezes não comunicam atualizações de forma agressiva.
Um detalhe que merece atenção é o crédito de descoberta atribuído à Anthropic com uso de Claude. A presença de pesquisas em segurança apoiadas por modelos de linguagem em produtos críticos de código aberto sinaliza um possível ponto de inflexão: a próxima onda de bugs sérios pode vir tanto de fuzzers tradicionais quanto de análises assistidas por IA aplicadas em grande volume de código legado.
Fonte: The Hacker News
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